CELEBRAR SÃO JOSÉ NAS QUARTA-FEIRAS

Na vivência da liturgia romana há dois dias consagrados a São José. O primeiro naturalmente em 19 de março é a Solenidade de São José, Esposo de Maria. Nessa data, celebramos o modelo de homem “justo”, e de “servo fiel e prudente da Sagrada Família”.

O culto a São José não foi um dos mais populares nos primeiros séculos do cristianismo. Foi João XXXIII, que numa carta apostólica (LE VOCI), recordou essa figura tão importante para os nossos dias quando consagrou a proteção do Concílio Vaticano II, com a especial proteção de São José:

No culto da santa Igreja, Jesus, Verbo de Deus feito homem, teve logo uma adoração incomunicável como esplendor da natureza de seu Pai, e irradiando-se na glória dos santos. Maria, sua Mãe, seguiu-o de perto desde os primeiros séculos, nas imagens das catacumbas e das basílicas, piedosamente veneradas: Santa Maria Mater Dei. São José, pelo contrário, excetuando algum traço de sua figura, encontrado aqui e ali nos escritos dos Padres, permaneceu durante séculos e séculos em seu característico apagamento, um pouco como figura de ornamento no quadro da vida do Senhor. E foi necessário tempo até que seu culto passasse dos olhos aos corações dos fiéis e despertasse neles singular fervor de oração e abandono confiante. E estas foram às piedosas alegrias reservadas às efusões da época moderna: oh! quão abundantes e grandiosas! E temos particular alegria em colher daí uma observação tão característica quanto significativa”. [1]

Historiadores destacam que já no ano 1689 havia uma festa dedicada a São José celebrada pelos Carmelitas no terceiro domingo depois da Páscoa. A devoção foi tomando popularidade, principalmente no século XIX, levando o papa Pio IX, decretar em 10 de Dezembro de 1847, estendendo esta festa para toda a Igreja.

Mas foi em 8 de dezembro de 1870, com decreto papal “QUEMADMODUM DEUS”, que Pio IX constituiu solenemente São José como Padroeiro da Igreja Universal.

Comemorando os 150 anos desse decreto, o papa Francisco no último dia 8 de dezembro de 2020, convocou e consagrou o vigente Ano para comemoração desse decreto e ampliando a devoção a São José.

Por isso ao longo desse Ano dedicado a São José, somos convidados a rezar e a imitar as virtudes de tão glorioso patrono.

Recordando a reforma do calendário em 1913, São Pio X, desejoso de livrar os domingos para celebrar as devoções e memórias dos santos e santas da Igreja, deslocou a solenidade de São José, para a quarta-feira, ou seja, a terceira quarta-feira depois da Páscoa ou, considerando a  quarta-feira da segunda semana após a oitava da Páscoa. A igreja sempre procurou preservar “O domingo, em todos os tempos, como a Páscoa semanal dos cristãos”. Por isso, resgatou na tradição apostólica, que a quarta-feira ‘era um dia de jejum e reunião nos lugares de oração e nos túmulos dos mártires’[2].

A confirmação da prática da devoção a São José nas quartas-feiras se consolidou, sobretudo com o incentivo dos papas, como por exemplo, do papa Inocêncio XII que em 1695 concedia indulgências aos membros da Confraria de São José que visitassem na quarta-feira a igreja dos carmelitanos descalços em Bruxelas.

 Já o papa Bento XIV concedia aos carmelitas descalços da Catalunha em 1745, a permissão de celebrar uma missa solene de São José toda quarta-feira do ano. Da mesma maneira o papa Clemente XIV autorizava aos mesmos religiosos celebrar uma segunda missa solene aos fiéis no mesmo dia.

O papa Pio VII, em 1819, concedia indulgência para todas as quartas-feiras do ano a quem rezasse nestes dias as Dores e Alegrias de São José. No dia 5 de julho de 1883, o papa Leão XIII confirmava a quarta-feira como dia de São José em toda a Igreja com missa votiva correspondente. O papa Bento XV por ocasião do cinquentenário da proclamação de São José como Patrono da Igreja Universal enfatizava a importância da consagração de todas as quartas-feiras e dos dias do mês de março consagrados a São José.

Ainda no ano de 1955 Pio XII, desejou enfatizar o dia do trabalhador em 01 de maio, instituído a Festa anual de São José operário colocando-a nesse dia e assim eliminando a da quarta-feira da segunda semana da Páscoa. Embora com a reforma do missal romano dada por Paulo VI, a celebração de São José operário passou a ser uma memória facultativa dentro do calendário romano.

Portanto na Carta apostólica “Patris corde – Com coração de Pai”, o Papa Francisco nos descreve São José com as principais virtudes necessárias para atravessarmos esse tempo de calamidades humanas em virtude dessa pandemia. Por isso, recorramos a São José que sendo ele um pai amado, um pai na ternura, na obediência e no acolhimento…

Entre estas e outras afirmações de Francisco, retomemos seguramente as práticas devocionais a São José, assinaladas séculos atrás e confirmados pelo Magistério da Igreja.

Pela intercessão de São José, sejamos abençoados!

Pe. José Edmilson S. Silva

Pároco de São João Batista,

 Salto de Pirapora.

[1] Carta Apostólica LE VOCI –  SUMO PONTÍFICE JOÃO XXIII, SOBRE A DEVOÇAO A SÃO JOSÉ, PADROEIRO DO CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II.

[2] JOÃO CRISÓSTIMOS, Homiliae in Ep. II ad Corinthios.

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