Catedral Metropolitana acelera reparos em trincas no arco que sustenta a cúpula

Quem circula nestes dias pelo interior da igreja da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Ponte, na região central da cidade, e que juntamente com o conjunto arquitetônico representado pelo Mosteiro de São Bento e pela igreja de Sant´Ana que lhe é anexo constituem os principais patrimônios histórico-religiosos de Sorocaba – a primeira com mais de 200 anos e o segundo mais de três séculos e meio de história -, desde esta terça-feira tem percebido intensa movimentação na montagem de enormes andaimes junto ao seu Presbitério. Esses andaimes são necessários para que pedreiros especializados possam ali trabalhar pelos próximos dias em reparos que precisam ser realizados para fazer desaparecer duas ou três significativas trincas que voltaram a aparecer no arco sobre o qual a bela cúpula de mais de 20 metros de altura existente sobre o altar-mór é assentada. Se não houver outros contratempos, a previsão é de que o serviço demore cerca de dez dias.

Não se tratam, porém, de trincas estruturais, o que seria bem mais preocupante e com grau maior de dificuldade para reparos, como esclarece o padre Tadeu Rocha Moraes, cura da Catedral Metropolitana e, por sinal, profundo conhecedor da arte e arquiteturas sacras. São trincas, na realidade, apenas no revestimento das paredes do arco. Aliás, como recorda padre Tadeu, essas trincas já haviam aparecido também no início dos anos 2000 e eliminadas por ocasião do processo de restauração da própria cúpula – uma das primeiras etapas do processo de restauração pelo qual a Catedral Metropolitana vem passando desde que padre Tadeu ali chegou, substituindo ao monsenhor Mauro Vallini, que falecera no final de abril de 1998.

Após os reparos das trincas, aí então entrarão em ação restauradores para refazer os ornamentos artísticos em azul do arco de sustentação da cúpula, porém mais para frente, depois de concluída também a restauração das pinturas parentais de autoria do artista plástico sacro ítalo-brasileiro Bruno di Giusti que ornamentam os altares laterais dedicados aos Santos, agora no altar de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, restando, assim, apenas mais dois (Nossa Senhora das Graças e São Pedro). Será quando, como também destaca padre Tadeu, toda igreja deverá passar outra vez por nova pintura interna e externa.

PARA ENTENDER: UM POUCO DE HISTÓRIA

 Em julho de 1918, a então igreja matriz de Nossa Senhora da Ponte, datada da segunda metade do século XVIII, foi fechada para reformas e ampliação e também para ser preparada para se transformar em Catedral para a sonhada Diocese de Sorocaba. Essas obras foram concluídas e inauguradas sob o paroquiato de monsenhor Domingos Magaldi, que também era governador do Bispado de Botucatu, em 1º de janeiro de 1924. Foi quando dessa ampliação que a igreja, futura Catedral Diocesana e Metropolitana, recebeu também a cúpula, assim como novo piso (em ladrilhos hidráulicos mantidos até hoje), as naves superiores (galerias) foram abertas e retiradas as janelas que separavam a nave principal; o teto de madeira em estilo basilical foi substituído posteriormente, já nos anos 50/60, no paroquiato de monsenhor Antônio Simon Sola.
Quanto ao Presbitério em si, foi no ano de 1932, sob o paroquiato de monsenhor Francisco Antônio Cangro, o `padre Chiquinho´, que se iniciou o trabalho de sua decoração, utilizando a técnica em estêncil e o primeiro ambiente a ser decorado na ocasião por Ernesto Tomazini foi a cúpula (conservada até hoje e restaurada nos anos de 2.006/7). “Esta cúpula – explica padre Tadeu didaticamente – está assentada em quatro colunas (simbolizando os textos dos quatro Evangelhos: Mateus, Marcos Lucas e João) e tem forma octogonal, que nos lembra o oitavo dia da Criação, isto é, a plenitude, além de nos dar a ideia da amplidão”.
O ponto central da cúpula da Catedral está a 21,30 metros do chão, sob a qual está, então, o altar-mór, “centro principal do Templo, pois não é só uma mesa, mas, sobretudo, um significativo símbolo de Cristo – Pedra viva – e, por isso, em granito maciço e peça única, pesando, aproximadamente, 3 toneladas” e consagrado por dom José Lambert, então arcebispo metropolitano, a 22 de dezembro de 2002.

(Colaboração: José Benedito de Almeida Gomes/ Diário de Sorocaba)

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