Bispos auxiliares

Dom Almir Marques Ferreira

No final da década de 50, a Santa Sé providenciou um bispo-auxiliar para Dom José Carlos de Aguirre, que já estava à frente da Diocese há mais de 30 anos e passava dos 75 anos de idade. Nessa época, o território da Diocese de Sorocaba ia até às barrancas do rio Paraná, chegando até a cidade de Itararé, na divisa entre os estados de São Paulo e do Paraná.

Aos 9 de abril de 1957, Sábado de Aleluia, Dom Aguirre chama a seu escritório no Palácio Episcopal da rua XV de Novembro seu secretário particular padre José Carlos Castanho de Almeida e pede que telefone a todos os párocos que naquela manhã, em Roma, o papa Pio XII assinara a nomeação de um bispo-auxiliar para Sorocaba. Tratava-se de monsenhor Almir Marques Ferreira, vigário-geral da Diocese de Uberaba/MG, nascido em 18 de novembro de 1911.

Monsenhor Luiz Castanho de Almeida, o historiador Aluísio de Almeida, deixou registrado em seu livro “A Diocese de Sorocaba e seu Primeiro Bispo” (1974, edição da Obra das Vocações Sacerdotais):

“Dom Almir foi recebido com grandes festas por Dom Aguirre, o clero e o povo sorocabano, na noite de 6 de outubro de 1957. Tendo viajado pela Rodovia Raposo Tavares, desceu do carro junto às escadarias da Catedral, onde houve a manifestação de acolhida e missa campal. Logo demonstrou o seu zelo e belo caráter, auxiliando Dom Aguirre em toda a Diocese. Dom Almir, além de visitas pastorais, dedicou-se à Obra Filial da Pontifícia Obra das Vocações Sacerdotais da Diocese. Viajava constantemente, quase sempre de trem, em companhia do jovem padre Emílio Grando, fazendo pregações e animando as seções paroquiais dessa grande Obra, cujos benefícios se podem aquilatar num de seus aspectos – e não o único -, isto é, a ordenação de cerca de 50 sacerdotes e preparação para a vida cristã e social de cerca de 1.000 alunos. Logo no primeiro ano de sua chegada, Dom Almir assumiu ainda a presidência da Campanha Unificada para o Natal dos Pobres, idealizada pelo cônego Lúcio Floro Graziosi. E saiu com um sacerdote pelas ruas, percorrendo as casas comerciais e industriais em busca de donativos. E assim, antes mesmo do Concílio Vaticano II, já era praticado o Ecumenismo”, pois participavam da Campanha diversas denominações e correntes religiosas.

Dom Almir faleceu aos 73 anos de idade, na passagem de ano (1983/1984), em Uberlândia/MG, para onde fora transferido como titular da Diocese quando deixou Sorocaba e era o bispo emérito desde 1977.

Dom José Thurler 

Dom José Thurler (foto: Diocese de Chapecó)

Dom José Thurler era natural de Nova Friburgo/RJ, onde nasceu em 19 de junho 1913. Foi ordenado sacerdote em pleno desenrolar da II Guerra Mundial, a 5 de abril de 1942, em Roma, onde também ocorreu sua sagração episcopal a 5 de abril de 1959. Foi vigário-cooperador da Paróquia de São João Batista, no bairro do Brás, e também cura da Catedral da Sé de São Paulo, além de professor e capelão da PUC (Pontifícia Universidade Católica). Aos 27 de março de 1962, Papa João XXIII o nomeou como bispo coadjutor de Dom Aguirre com direito à sucessão, Dom José, o então bispo diocesano de Chapecó/SC. Tomou posse na igreja da Catedral de Nossa Senhora da Ponte aos 10 de junho de 1962 e passou a residir com Dom Aguirre no velho Palácio Episcopal.

Da primeira sessão do Concílio Vaticano II, em reunião dos bispos brasileiros em separado, resultaram as primeiras medidas para a renovação da Igreja no País. Dom José Thurler foi escolhido e aceitou assumir o cargo de diretor geral da Obra das Vocações Sacerdotais, assim, não voltou mais a Sorocaba. Desempenhara também as funções de bispo-auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, nos últimos anos se ocupando principalmente ao trabalho de assistência eclesiástica às religiosas, por solicitação do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Dom José Thurler faleceu a 23 de abril de 1992.

Dom Amaury Castanho 

Dom Amaury nasceu em Souzas, município de Campinas/SP, a 19 de setembro de 1927. Concluiu seus estudos teológicos em Roma, na Pontifícia Universidade Gregoriana. Foi ordenado sacerdote a 7 de outubro de 1951, Festa de Nossa Senhora do Rosário, ainda em Roma, por Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, então bispo-auxiliar de São Paulo.

Jornalista desde os tempos de Seminário com seus artigos semanais, conseguiu em 1952 o registro profissional. Entre 1956 e 1969, foi o responsável pela administração e redação do jornal “A Tribuna”, semanário da Arquidiocese de Campinas. Foi chamado a São Paulo pelo então cardeal-arcebispo Dom Agnelo Rossi, para organizar o Centro de Informações “Eclesia” e dirigir o semanário “O São Paulo”, ambos ligados à Arquidiocese paulistana, entre os anos de 1969 e 1974.

Retornou a Campinas e retomou uma série de funções ministeriais na Arquidiocese, inclusive o paroquiato na Catedral Metropolitana, até ser elevado ao Episcopado e ser nomeado bispo-auxiliar de Sorocaba pelo Papa Paulo VI no dia 21 de julho de 1976. Foi sagrado na Catedral de Campinas também na Festa de Nossa Senhora do Rosário daquele ano, coincidentemente jubileu de prata (25 anos) de sua ordenação presbiteral e pelo mesmo bispo que o ordenou padre, Dom Antônio Maria Alves de Siqueira, tendo a seu lado como consagrantes o então arcebispo coadjutor de Campinas, Dom Gilberto Pereira Lopes, e o bispo de Sorocaba, Dom José Melhado Campos.

Em Sorocaba foi assistente eclesiástico dos mais diversos movimentos eclesiais de leigos, como os Cursilhos de Cristandade, Movimento de Emaús, Encontro de Casais com Cristo e Equipes de Nossa Senhora. Desdobrava-se ainda, ao lado de Dom José Melhado Campos, nas visitas pastorais às paróquias da então extensa Diocese, que além de Sorocaba abrangia ainda as regiões pastorais de Tatuí e Itapetininga.

Autor ainda de quinze livros, além de colaborador assíduo de outras dezenas de revistas e jornais pelo Brasil afora, com mais de 3.500 artigos publicados, Dom Amaury Castanho permaneceu no cargo de bispo titular da Diocese de Jundiaí até pouco depois de completar a idade-limite de 75 anos em 2004, quando com a posse do sucessor, Dom Gil Antônio Moreira, retirou-se para Itu, voltando a residir na igreja do Bom Jesus, Santuário Nacional do Apostolado da Oração. Faleceu a 1º de junho de 2006, sendo sepultado na cripta da Catedral de Nossa Senhora do Desterro em Jundiaí.

         Com informações de José Benedito de Almeida Gomes/Redação e edição de Juliana Cuani.