As Revelações e a Revelação

No decorrer da história do cristianismo, algumas pessoas se apresentaram como tendo recebido aparições e revelações divinas. Esse é o caso de S. Paulo no caminho de Damasco, é o caso de Pedro na casa do centurião Cornélio, de Estevão que, antes de morrer, viu a glória de Deus e Jesus a direita do Pai.

Manifestações extraordinárias como essas relatadas pela Bíblia se verificaram também para além da primeira geração do cristianismo. É o caso de S. Francisco de Assis que recebeu a mensagem divina de uma cruz; é também o caso de Santa Matilde de Magdeburgo que teve várias visões de Jesus. Além desses fenômenos, todos nós sabemos que algumas aparições de Nossa Senhora alcançaram um grande reconhecimento da Igreja. Esse é o caso das Aparições de Guadalupe, de Lourdes e de Fátima.

Infelizmente houve também na história casos de histeria coletiva, de fraude e de manipulação da credulidade das pessoas bem-intencionadas.

Não é segredo para ninguém que a Igreja sempre foi prudente em relação às aparições e revelações privadas. Essa prudência é, no final das contas, uma exigência de discernimento: a Igreja sempre procurou evitar tanto a credulidade ingênua quanto o ceticismo agnóstico e, ao mesmo, tempo procurou examinar a autenticidade das revelações privadas e das aparições.

Um verdadeiro milagre e uma autêntica aparição nada têm a temer do exame da Igreja. Seria, pelo contrário, um mau sinal se um presunto vidente não quisesse se submeter de bom grado a um exame crítico. De fato, os grandes santos e místicos não só aceitaram tal exame, mas até o pediram.

Como podemos distinguir as aparições autênticas e verdadeiras das manipulações e dos fenômenos de histeria coletiva? A Igreja em sua bimilenar história estabeleceu critérios seguros e claros para esse delicado discernimento.

Primeiramente deve-se fazer uma distinção nítida entre Revelação pública e revelações privadas. Jesus Cristo é a plenitude da Revelação e, por isso, é o paradigma e o critério para a avaliação de qualquer outra revelação.

A economia cristã, como nova e definitiva aliança, jamais passará, e já não se há de esperar nenhuma nova revelação pública antes da gloriosa manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo. No entanto, apesar de a Revelação já estar completa, ainda não está plenamente explicitada.

No decurso dos séculos tem havido revelações “privadas”, algumas das quais foram reconhecidas pela autoridade da Igreja. Todavia, elas não pertencem ao depósito da fé. O seu papel não é “aperfeiçoar” ou “completar” a Revelação definitiva de Cristo, mas ajudar a vivê-la mais plenamente, numa determinada época da história. Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis sabe discernir e guardar o que nestas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou dos seus santos à Igreja.

A fé cristã não pode aceitar “revelações” que pretendam ultrapassar ou corrigir a Revelação de Cristo. É o caso de certas religiões não-cristãs, e também de certas seitas recentes fundadas sobre revelações que pretendem completar ou superar a revelação de Jesus Cristo.

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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