Artigo: Instrução da Congregação da Doutrina da Fé fala sobre Sepultura e Cremação

A instrução ‘Ad resurgendum cum Christo’ é o mais recente documento da Igreja sobre o sepultamento de defuntos e a conservação de cinzas em caso de cremação – foi elaborado pela Congregação para a Doutrina da Fé, presidida pelo Cardeal Gerhard Müller. Ela traz normas e proíbe algumas práticas que se tornaram comuns nos dias de hoje, entre elas conservar as cinzas em casa, jogar no mar ou usar para fazer joias e lembranças.

A cremação é permitida, mas as cinzas devem ser conservadas em um lugar sagrado. A Igreja orienta que “onde por razões de tipo higiênico, econômico ou social se escolhe a cremação; escolha que não deve ser contrária à vontade explícita ou razoavelmente presumível do fiel defunto, a Igreja não vê razões doutrinais para impedir tal práxis; uma vez que a cremação do cadáver não toca o espírito e não impede à onipotência divina de ressuscitar o corpo. Por isso, tal fato, não implica uma razão objetiva que negue a doutrina cristã sobre a imortalidade da alma e da ressurreição dos corpos”.

Conservar as cinzas no lar ou dispersar as cinzas?

Assim diz a Instrução sobre essas práticas:

“Quaisquer que sejam as motivações legítimas que levaram à escolha da cremação do cadáver, as cinzas do defunto devem ser conservadas, por norma, num lugar sagrado, isto é, no cemitério ou, se for o caso, numa igreja ou num lugar especialmente dedicado a esse fim determinado pela autoridade eclesiástica. Desde o início os cristãos desejaram que os seus defuntos fossem objeto de orações e de memória por parte da comunidade cristã. Os seus túmulos tornaram-se lugares de oração, de memória e de reflexão. Os fiéis defuntos fazem parte da Igreja, que crê na comunhão ‘dos que peregrinam na terra, dos defuntos que estão levando a cabo a sua purificação e dos bem-aventurados do céu: formam todos uma só Igreja’.

A conservação das cinzas num lugar sagrado pode contribuir para que não se corra o risco de afastar os defuntos da oração e da recordação dos parentes e da comunidade cristã. Por outro lado, deste modo, se evita a possibilidade de esquecimento ou falta de respeito que podem acontecer, sobretudo depois de passar a primeira geração, ou então cair em práticas inconvenientes ou supersticiosas. Pelos motivos mencionados, a conservação das cinzas em casa não é consentida. Para evitar qualquer tipo de equívoco panteísta, naturalista ou niilista, não seja permitida a dispersão das cinzas no ar, na terra ou na água ou, ainda, em qualquer outro lugar. Exclui-se, ainda a conservação das cinzas cremadas sob a forma de recordação comemorativa em peças de joalharia ou em outros objetos, tendo presente que para tal modo de proceder não podem ser adotadas razões de ordem higiênica, social ou econômica a motivar a escolha da cremação”.

Qual a razão dessas proibições?

A prática da cremação tem se difundido cada vez mais em muitas nações, e com isso também “novas ideias contrastantes com a fé da Igreja”. O texto recorda que em 1963, a Santa Sé estabeleceu que “seja fielmente conservado o costume de enterrar os cadáveres dos fiéis”.

“Seguindo a antiga tradição cristã, a Igreja recomenda insistentemente que os corpos dos defuntos sejam sepultados no cemitério ou em um lugar sagrado”, e acrescenta que a cremação não é ‘em si mesma contrária à religião cristã’ e afirma que não devem ser negados os sacramentos e as exéquias àqueles que pediram para ser cremados, na condição de que tal escolha não seja querida ‘como a negação dos dogmas cristãos, ou num espírito sectário, ou ainda, por ódio contra a religião católica e à Igreja’”.

O Vaticano também recorda que “a inumação (enterro) é, a forma mais idônea para exprimir a fé e a esperança na ressurreição corporal”.

Leia a íntegra da Instrução ‘Ad resurgendum cum Christo’ 

‘Capela das Cinzas’ na capela São Pio será inovação

O projeto da igreja da Comunidade de São Pio compreende a construção da Capela das Cinzas, uma inovação para os moradores de Sorocaba que, muitas vezes, não têm opções de locais para depositar as cinzas dos entes queridos. “Trata-se da primeira capela para essa finalidade na região. O local ficará atrás do presbitério da igreja e contará com um pequeno velário junto a um jardim suspenso, um local específico para as orações das pessoas junto às urnas que ali forem armazenadas”, informa a Paróquia Nossa Senhora de Fátima (Campolim). A construção da Capela ainda depende de aprovações para que se realize, entre elas a da Comissão Arquidiocesana de Arte Sacra.

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