A Palavra do Pastor: O Significado da Revelação Divina

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Qual é o significado da Revelação divina para nós? Afinal, Deus se revela para quê? Que importância isso tem para nós? Se Deus Se revela, isso muda alguma coisa na nossa vida?

Deus, que “habita numa luz inacessível” (1Tm 6,16), quer comunicar a sua própria vida divina aos homens que livremente criou, para fazer deles, no seu Filho único, filhos adotivos. Revelando-Se a Si mesmo, Deus quer tornar os homens capazes de Lhe responderem, de O conhecerem e de O amarem, muito além de tudo o que seriam capazes por si próprios (CatIgCat 52).

Note como é significativa a Revelação divina: não é mera comunicação de proposições e mensagens. Se fosse só isso, bastaria para Deus usar o e-mail ou o facebook. A revelação divina é muito mais do que isso; ela é sobretudo a comunicação da própria vida de Deus. Ao se revelar, Deus Se comunica a Si mesmo ao homem. O que Deus dá na sua revelação é a Si mesmo. Por isso podemos dizer que a revelação é autodoação.

Além de Se revelar a Si mesmo, Deus manifesta ao homem o seu desígnio de salvação. Entenda bem: a revelação é uma verdade e também uma realidade salvadora; é comunicação de um desejo de salvação que se realiza pelo próprio ato de comunicar tal desejo.

Deus Se distingue de nós neste fato: nós, muitas vezes, podemos falar uma coisa e fazer outra; podemos desejar uma coisa e fazer outra totalmente contrária. Quando Deus fala, quando deseja e revela esse desejo, Ele realiza realmente o que fala e o que deseja. Assim, se Ele comunica o seu desígnio de salvação, de fato, realiza essa salvação. Para Deus, falar e agir, realizar e desejar é a mesma coisa. Por isso a manifestação do desígnio de salvação por parte de Deus constitui, ao mesmo tempo, a nossa salvação.

A revelação divina é a ação de Deus que se dirige ao homem num diálogo que procede do amor de Deus e persegue uma obra de amor: Deus quer que o homem se introduza na sociedade de amor que é a Trindade.

Nesse diálogo de amor, Deus vence a distância infinita que separa o Criador da criatura. O Altíssimo, o Transcendente se torna próximo, o Deus conosco. Deus sai de seu mistério, condescende e se torna presente ao homem para estabelecer com este uma relação de salvação e de amizade.

O plano da salvação de Deus consiste em fazer com que a pessoa humana participe da natureza divina e receba a filiação divina. Assim, o ser “capaz de Deus” alcança a uma nova ordem do ser: é chamado por Deus a ser mais do que ele é.

A intenção de amor da Revelação divina se manifesta não só no fato da revelação, mas também no próprio objeto, que não são apenas verdades religiosas, mas principalmente o segredo da própria vida divina, principalmente o mistério da Trindade. Esse é o segredo divino por excelência, pois é o segredo da intimidade divina, conhecido somente das Pessoas divinas. “Ninguém conhece o Filho senão o Pai, nem ninguém conhece o Pai senão o Filho” (Mt 11,27); “ninguém conhece os segredos de Deus, senão o Espírito de Deus” (1Cor 2,11).

Revelando esse segredo, Deus inicia o homem no que há de mais íntimo em Si mesmo: o mistério de sua vida e o coração de sua subsistência pessoal. E Deus não pode revelar esse segredo de sua vida a não ser a alguém que lhe esteja unido pela amizade, ou a alguém a quem ele se queira unir pela amizade. Convidando-nos a mais surpreendente amizade, a revelação da Trindade se nos apresenta como um começo de participação na vida divina e constitui uma doação de Deus ao homem. A revelação é, de fato, uma autodoação.

A revelação como autodoação divina nos ajuda a uma comunicação mais pessoal e verdadeira. Sempre corremos o risco de usar a comunicação para manipular, dominar, enganar. Infelizmente as mensagens e os perfis falsos (fakes) entraram no nosso cotidiano e contaminaram as relações virtuais e reais. Para superar o abuso que fazemos da palavra humana, precisamos do antídoto da Palavra de Deus. Deus, ao Se revelar, eleva a comunicação inter-humana para a dignidade de imagem e semelhança de Sua autocomunicação de amor. É necessário e urgente aprender a nos comunicar com as pessoas assim como Deus se comunica conosco.

Por: Dom Julio Endi Akamine, SAC

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