A Palavra do Pastor: O Ser Humano é um Ser Desequilibrado

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Você já notou que, no seu dia-a-dia, estamos continuamente fazendo a experiência do infinito, do ilimitado e da transcendência? Como é possível isso?

Procure refletir: quando você faz a experiência do amor, não percebe que o seu amor é limitado mas, de alguma forma, é também ilimitado? Você já notou que mesmo sendo o amor limitado, há sempre um desejo de um amor sem limites, sem fronteiras, de um amor infinito?

Esse é o mistério do nosso ser: eu sou limitado, mas há dentro de mim um desejo do infinito. Eu não sou o infinito, mas faço realmente a experiência de que sou capaz de tocar o infinito. Não sou eu que crio o infinito, mas posso desejá-lo, buscá-lo e recebê-lo como um dom. Sem deixar de ser finito e limitado, posso acolher o infinito que me vem ao encontro. Eu sou, de fato, um ser ontologicamente desequilibrado!

Eu não sou apenas um objeto cercado de realidades materiais: percebo que sou mais do que as coisas que me cercam. Não sou apenas a soma de elementos e de processos químicos. Percebo que a vida humana toca as fronteiras do mistério. Constato que meu ser finito é constitutivamente aberto ao infinito. É exatamente essa condição do ser humano que o faz capaz de Deus.

E o desejo de Deus é de tal ordem que não se contenta apenas em se relacionar com uma “força espiritual”, um “ser incorpóreo” ou uma entidade espiritual indefinida. Nosso desejo de Deus almeja uma “união íntima e vital com Deus” (CatIgCat, 29). Em outras palavras: o ser humano deseja, no mais profundo do ser, estabelecer com Deus uma relação pessoal.

Que relação pessoal com Deus o ser humano deseja?

Primeiramente é a rejeição de toda relação mágica e supersticiosa. Relação pessoal com Deus não combina com feitiços, magia ou adivinhação. Com efeito, tudo o que atenta contra a pessoa destrói a relação pessoal. Por isso, tentar manipular Deus com fórmulas, sortilégios e ações mágicas que pretendam obrigar Deus a fazer os meus caprichos impossibilita a relação pessoal.

O mesmo vale da parte de Deus: se Deus se comunicasse tirando a consciência e a liberdade humanas, a relação pessoal seria negada pelo próprio Deus, uma vez que Ele manipularia o homem como mero instrumento.

A relação pessoal com Deus exige o encontro de liberdades e de interioridades. Trata-se de um “eu” e de um “tu” que se encontram no diálogo e na comunhão de vida.

O desejo de Deus, que está no interior do coração de todos nós, é o que permite que o cristão, a partir da sua fé, possa dizer algo de sensato a uma pessoa que não crê em Deus. De fato, o cristão não dialoga somente com os próprios cristãos, mas pode se dirigir de maneira significativa também aos que não partilham a sua fé, porque também o outro é capaz de Deus. E é essa capacidade de Deus que permite tal diálogo entre crentes e não crentes.

Se o homem não fosse “capaz de Deus”, ele não poderia acolher livremente a revelação divina. Mais ainda, revelação divina alguma seria compreensível e significativa para ele. Se o ser humano não fosse capaz de Deus, ele seria como um cego debaixo do sol; por mais que brilhe o sol, o cego não vê a luz, não porque ela não exista, mas porque falta ao cego a capacidade de vê-la.

A capacidade de Deus, inerente a todo ser humano, é, por isso, a base do empenho missionário da Igreja: se a Igreja não pudesse falar de maneira significativa e sensata da sua própria fé, a missão tampouco seria possível. Dito em modo positivo: a Igreja é missionária porque constata que o ser humano é constitutivamente aberto ao encontro pessoal com Deus e por isso pode acolhê-Lo livre e responsavelmente em Sua revelação.

Por: Dom Julio Endi Akamine, SAC

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