A Palavra do Pastor: DEUS TODO-PODEROSO

Deus é o Todo-poderoso (ou o Onipotente). O que significa essa afirmação? Quais são as dificuldades que os cristãos enfrentam para explicar a confissão de fé no Onipotente?

“De todos os atributos divinos, só a onipotência é nomeada no Símbolo: confessá-la é de grande alcance para a nossa vida. Nós acreditamos que ela é universal, porque Deus, que tudo criou, tudo governa e tudo pode; amorosa, porque Deus é nosso Pai; misteriosa, porque só a fé a pode descobrir, quando ela atua plenamente na fraqueza” (2Cor 12,9; CatIgCat, 268).

É preciso que fique bem claro desde o início: não podemos confundir onipotência divina com o arbítrio de um poder despótico e tirânico.

“Em Deus, o poder e a essência, a vontade e a inteligência, a sabedoria e a justiça, são uma só e a mesma coisa, de modo que nada pode estar no poder divino que não possa estar na justa vontade de Deus ou na sua sábia inteligência”.

Em Deus os extremos opostos não se contrapõem. Em Deus, o poder absoluto e o amor infinito, a distância suprema e a proximidade mais estreita, o domínio total e a condescendência humilde, a justiça incorruptível e a bondade infinita, o juízo rigoroso e o perdão misericordioso não só não se contradizem como se identificam e são a mesma coisa.

Assim, ao professar “o Pai Todo-poderoso”, confessamos que o exercício do poder absoluto de Deus concorda com o ser mesmo de Deus, que é Amor por essência. Assim afirmar que Deus é o Todo-poderoso não é negar a sua misericórdia; confessar a onipotência divina é o mesmo que reconhecer que Deus é Amor.

Devemos, portanto, evitar o erro de projetar em Deus o modo como os seres humanos exercem o poder. Muitos usam o poder como um serviço ao bem comum. Mas é evidente também que muitos outros usam do poder de maneira arbitrária e egoísta. Em muitos casos, a nossa experiência concreta só confirma o conhecido ditado: o poder absoluto corrompe absolutamente.

A partir dessa triste constatação podemos nos perguntar: então, se Deus tem o poder absoluto, isso significa que Ele se corrompe absolutamente? É claro que não! Mas como podemos explicar que Deus Todo-poderoso não é um Déspota e um Tirano?

Deus exerce o poder absoluto de uma maneira totalmente diferente da dos homens: “Deus Pai revelou a sua onipotência do modo mais misterioso, na humilhação voluntária e na ressurreição de seu Filho, pelas quais venceu o mal. Por isso, Cristo crucificado é ‘força de Deus e sabedoria de Deus’”.

Ao refletir sobre a onipotência divina, não podemos projetar em Deus o modo como os tiranos exercem o poder. Esse atributo divino só pode ser compreendido adequadamente partindo da experiência histórica de Jesus de Nazaré: é nEle que se torna claro o que realmente é onipotência divina.

Deus manifesta a sua onipotência no presépio de Belém, na oficina de Nazaré e principalmente no patíbulo da cruz. É exatamente quando o Onipotente atinge o extremo da impotência que nós podemos entender no que consiste a soberania de Deus.

Perante a onipotência misteriosa de Deus somos obrigados a rever os nossos conceitos de poder, de soberania, de senhorio. O poder dos homens é triste e infelizmente baseado na força da violência e das armas, no medo que se impõe a partir de cima. Mas Jesus nos revela que o poder supremo é justamente aquele que pode renunciar totalmente à força e à violência (“Se o meu Reino fosse desse mundo, meus soldados lutariam para que não fosse entregue a ti”). A força de Jesus é o amor que, embora rejeitado, é ainda mais poderoso do que a força da violência. No âmbito do amor, o último é o primeiro, e o Senhor é o escravo de todos.

Deus é amor e sua onipotência é a onipotência do amor.

Por: Dom Julio Endi Akamine, SAC

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