A Oração Interior

Jesus foi o Mestre da oração: ele mesmo deu o exemplo e ensinou a orar. Ao pedido de um discípulo: “Senhor, ensina-nos a rezar”, respondeu transmitindo-nos a oração do pai-nosso.

Uma vez que essa oração ideal nos eleva à dignidade do Filho que fala ao Pai, nós não podemos recitá-la somente com as nossas forças. É preciso Alguém que nos faça pronunciá-la com o coração filial de Jesus. Ora, é o Espírito Santo que, segundo São Paulo, nos faz orar: “Abbá, ó Pai” (Rm 8,15; Gl 9,6).

São Paulo caracteriza a intervenção do Espírito Santo na nossa oração com duas afirmações: o Espírito Santo forma em nós um espírito de adoção no qual gritamos: “Pai”; e o Espírito do Filho, enviado pelo Pai aos nossos corações, grita Ele mesmo em nós: “Pai”.

São Paulo considera a oração sob o aspecto universal: fala do gemido de toda criação que aspira o cumprimento da redenção, esperando participar da glória dos filhos(as) de Deus, e de nossos gemidos em vista do mesmo cumprimento: “também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nosso íntimo, esperando a adoção filial, a redenção de nosso corpo. Na esperança é que nós fomos salvos” (Rm 8,23-24).

Tal é a oração essencial que do universo e da humanidade se eleva a Deus: o pedido do cumprimento pleno da obra da salvação. É este o objeto mais vasto e fundamental de todas as orações, que corresponde às primeiras petições do Pai-nosso, porque significa o advento definitivo do Reino de Deus e a execução integral da sua vontade. São Paulo nos convida a considerar todos os pedidos particulares na perspectiva geral de uma oração única que se eleva contemporaneamente de todos os cristãos.

O Espírito Santo acende o nosso desejo de cumprimento de tal obra e, de modo particular, da ressurreição da nossa carne humana. Ele estimula a nossa esperança e nos faz suplicar a Deus com fervor. Trata-se de uma oração interior: “gememos em nosso íntimo”.

Trata-se de um grito que sobe das profundezas, brota da miséria íntima e exprime uma necessidade vivamente sentida. Mais do que isso. É um clamor que procede daquela profundidade que o Espírito Santo cria em nós doando-nos as suas primícias. A nossa oração ou clamor é, portanto, uma expressão da vida interior criada em nós por aquele que é nosso Mestre interior.

Mesmo assim, nossa oração é débil, e a ação do Espírito Santo não se limita a ela. O seu próprio clamor se une ao nosso. “Da mesma forma, o Espírito vem em socorro de nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir. É o próprio Espírito que intercede em nosso favor com gemidos inexprimíveis. E aquele que examina os corações sabe qual é o pensamento do Espírito, pois é de acordo com Deus que ele intercede em favor dos santos” (Rm 8,26-27).

Há, portanto, uma oração própria do Espírito que se alia à nossa: “o próprio Espírito se une ao nosso espírito, atestando que somos filhos de Deus” (Rm 8,16). O Espírito Santo não nos faz somente gritar “Abbá, ó Pai”; Ele mesmo grita conosco. E quando nós clamamos, Ele clama conosco.

A nossa oração é muito imperfeita. Nós não conseguimos receber tudo aquilo que o Espírito Santo gostaria de nos dar, nem rezar como Ele desejaria. Permanece sempre em nós uma certa resistência ou dureza em relação à sua ação, e a nossa oração nasce sob o sinal da fraqueza humana. É antes de tudo o objeto de nossa oração que não conseguimos descobrir, aquele objeto que é o cumprimento da obra da redenção neste mundo.

Ora, para reconduzir a esse objeto as nossas orações, devemos participar do modo de ver de Deus e conhecer os seus desígnios. Somente o Espírito Santo, que “perscruta a profundidade de Deus” pode imprimir em nossas orações a justa direção. Sabemos por experiência quanto seja forte a tentação de limitar o objeto de nossas orações às perspectivas humanas ou materiais, e de incluir nelas nossos interesses egoístas. O Mestre interior, porém, nos liberta dessa estreiteza de horizonte e orienta nossa oração para intenções coincidentes com os desígnios divinos.

Não devemos somente pedir ao Espírito Santo que nos mostre o objeto de nossa oração: Ele deve também nos ensinar o modo de rezar, porque para “rezar como convém” não basta pedir aquilo que Deus deseja; é necessário pedi-lo como Ele quer. É o Espírito Santo que intercede por nós, e a sua intercessão soberana supera o alcance de nossas pobres orações e preenche todas suas deficiências. Como Cristo, o Paráclito põe remédio à nossa miséria moral de nossas pobres orações.

O Espírito Santo reza em favor dos “santos”, isto é, dos cristãos; e o faz com gemidos inefáveis, porque é uma oração divina, impossível de ser traduzida em linguagem humana. O Pai, que escruta o profundo do nosso coração, ouve essa oração divina que sobe para Ele, totalmente conforme a sua própria vontade, e não pode não a atender. O nosso Mestre interior, portanto, interpõe sempre a própria pessoa e o próprio pedido para conferir à nossa oração uma suprema eficácia.

 

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

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