A Arquidiocese de Sorocaba e a Fundação Dom Aguirre

Fui questionado sobre a razão de a Igreja cobrar mensalidades dos estudantes do Colégio Dom Aguirre e da Universidade de Sorocaba (UNISO). A Arquidiocese de Sorocaba, os seus padres e os seus bispos se enriqueceram com os lucros dessas instituições? Por que são cobradas mensalidades de seus estudantes? Para enriquecer a Igreja? É verdade que a Arquidiocese
obtém lucros da exploração das atividades do Colégio Dom Aguirre e da UNISO?

A Arquidiocese de Sorocaba fundou tanto o Colégio quanto a Universidade de Sorocaba e colaborou decisivamente no seu desenvolvimento. A UNISO recebeu nota máxima na avaliação do MEC, e o Colégio Dom Aguirre foi o primeiro colégio a implantar o sistema de ensino bilíngüe em Sorocaba. Através da Fundação Dom Aguirre, bispos, padres e leigos dedicaram esforço, competência e também noites de sono para fazer com que essas instituições de ensino chegassem ao grau de excelência que ostentam atualmente.

As duas instituições são mantidas por uma Fundação (a Fundação Dom Aguirre), que foi criada exatamente para que a Arquidiocese, os seus bispos e padres não recebam nem direta tampouco indiretamente vantagens ou recurso econômico algum. É também a Fundação Dom Aguirre, como mantenedora das duas instituições, que permite com que a Arquidiocese de Sorocaba seja a “dona” delas sem poder explorá-las como fonte de lucro, como cabide de emprego para protegidos e como privilégio para apadrinhados. Graças à Fundação, todas as contas são controladas exteriormente por um Curador. Sob severa vigilância dele, as duas instituições não podem ter lucro e não podem desempenhar atividades lucrativas. Todo o superavit das duas não pode ser distribuído para outras instituições nem pode constituir lucro para ninguém, mas deve ser aplicado nas próprias instituições de ensino, ou seja, nos seus professores e funcionários através do pagamento de salários justos, na manutenção das estruturas necessárias através de investimentos, de aquisições e de construções e nos estudantes através da oferta de um ensino de qualidade.

Neste ano, 23 seminaristas fazem o curso de filosofia na UNISO, e a Arquidiocese paga as mensalidades deles sem descontos e com alegria, pois sabe que esse pagamento acrescenta uma contribuição a mais no desenvolvimento da Universidade. No ano passado, por exemplo, a UNISO construiu um bloco moderno e equipado para servir ao curso de odontologia. Tudo foi
construído com os recursos integralmente advindos das mensalidades que os alunos pagaram e nenhum centavo foi desviado para a Arquidiocese de Sorocaba.

A Fundação Dom Aguirre distribui bolsas de estudos tanto no Colégio quanto na UNISO como contrapartida pela imunidade de algumas taxas que o Governo deixa de cobrar. Hoje, cerca de 1.600 alunos na Uniso e 400 no Colégio estudam gratuitamente. Tais bolsas garantem a natureza filantrópica da Fundação.

Além delas, a Fundação distribui mais outras bolsas de estudo integrais para filhos de professores das duas instituições. Além de fazer parte de um acordo coletivo, são uma forma de a Fundação reconhecer o trabalho valoroso dos educadores. Elas continuarão a ser concedidas para as respectivas instituições em que trabalham os professores.

Além de tudo isso, a Fundação oferece bolsas parciais e descontos segundo critérios isonômicos e objetivos evitando assim o favorecimento de uns em detrimento de outros.

Aproveito esse artigo para agradecer todos os professores e funcionários da Fundação Dom Aguirre pela dedicação que vai muito além do próprio interesse pessoal. Garanto também aos pais de alunos que as mensalidades cobradas revertem integralmente para a própria instituição de ensino e que a Arquidiocese não recebe quantia alguma.

 

Por Dom Julio Endi Akamine, SAC

 

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