A ação de Satanás

Por Dom Julio Endi Akamine, SAC

 

Qual é alcance da ação de Satanás e dos demônios: tem Satanás acesso aos nossos pensamentos? Pode ele controlar a nossa mente da mesma forma como ele pode controlar o corpo, como ocorre nas possessões?

O Catecismo da Igreja Católica nos ajuda a responder a essas perguntas.

O poder de Satanás não é infinito. Ele não passa de criatura, poderosa pelo fato de ser puro espírito, mas sempre criatura: não é capaz de impedir a edificação do reino de Deus. Embora Satanás atue no mundo por ódio contra Deus e seu Reino em Jesus Cristo, embora sua ação cause graves danos – de natureza espiritual e, indiretamente, até de natureza física – para cada homem e para a sociedade, esta ação é permitida pela divina providência, que, com vigor e doçura, dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério, mas “sabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam Deus” (Rm 8,28) (395).

O poder de Satanás não é infinito. Só Deus é o Onipotente, só Ele pode agir na nossa alma, no mais profundo de nosso ser. Somente Deus pode atingir essa profundidade do nosso ser. Por isso, o batismo não é mero rito externo, mas, realmente e misteriosamente, nos dá um novo ser.

Satanás e os demônios são criaturas poderosas porque são espírito puro. O que Deus faz, não o desfaz mais; os seus dons são sem arrependimento e sem volta; se Ele dá, não mais retira. Por isso não retira dos demônios a inteligência com a qual eles foram criados enquanto anjos. Assim eles podem influir poderosamente em nossos pensamentos no sentido de que podem nos induzir a ter maus pensamentos. Uma pessoa humana tem o poder de sugerir maus pensamentos quando nos sugere: “Veja esse filme pornô”. “Não seja careta! Veja essa revista!”. Se isso é verdade em relação à pessoa humana, quanto mais em relação ao demônio!

Mas “devemos discernir entre ser tentado e consentir na tentação” (2847). O demônio não tem o poder de nos obrigar a pecar em pensamento; não tem o poder de controlar os pensamentos a não ser que sejamos nós a entregar-lhe tal controle. Assim devemos distinguir em ser provados em nossos pensamentos do fato de nós consentirmos com os maus pensamentos. Ninguém poderá dizer: “Não pude fazer nada contra os meus maus pensamentos. Não tive como evitá-los”.

Também as outras pessoas podem conhecer nossos pensamentos na medida em que os expressamos com palavras e ações. Enquanto criatura puramente espiritual, a capacidade do demônio em conhecer os nossos pensamentos é ainda mais aguda perspicaz e sutil. Mas somente Deus é Onisciente; somente Ele pode penetrar o mais profundo do nosso pensamento sem, contudo, violar a dignidade humana.

Devemos nos angustiar ou ficar assustados porque o demônio nos tenta também em nossos pensamentos? Não. Porque é vencendo a tentação que nós crescemos e nos santificamos. “O Espírito Santo nos faz discernir entre a provação, necessária ao crescimento do homem interior em vista de uma virtude comprovada, e tentação que leva ao pecado e à morte” (2847).

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